Entrevista: Thomas Larson, criador do Rái Sossaith, fala sobre seu canal do Youtube e como enxerga o cenário atual para animação

Você já ouviu falar no canal do Youtube ‘Rái Sossaith’? Derivado de dois curtas metragens premiados e uma série com primeira temporada exibida no Canal Brasil, o canal de animação mostra, com um humor ácido e adulto, o colunista Atail Menezes em um talk show polêmico e cheio de alfinetadas direcionadas para o mundo das personalidades da mídia.

Criado pelo chargista, cartoonista, ilustrador e animador Thomas Larson, ‘Rái Sossaith’ já está em sua segunda temporada e com números de espectadores ascendente. Conversei com Thomas e ele contou um pouco mais sobre esse projeto, sua carreira e como ele vê o cenário brasileiro para animação.

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Nauan: Como surgiu seu interesse pelo mundo pelo mundo dos desenhos (charge, ilustração, cartoon)?

Thomas: Esse interesse surgiu na infância e continuou durante toda a adolescência. Eu fazia tirinhas, desenhava os amigos, fazia caricaturas de professores, rabiscava a carteira, etc. Mas não sei ao certo de onde veio o interesse. Acho que todo mundo começa a desenhar na infância mas alguns param e outros continuam.  Eu continuei e mantive para o resto da vida.

Nauan: Como você enxerga o cenário brasileiro atual para quem faz animação? Há uma valorização do trabalho? Você acredita que essa linguagem está vivendo um bom momento para novos profissionais?

Thomas: O cenário atual é o melhor que eu já vi na minha pequena experiência de quinze anos. Quando eu me formei na faculdade não existia nada, eram somente algumas poucas agências que produziam publicidade. Era um mercado bem restrito. Mas hoje em dia já existem muitas produtoras pequenas, médias e grandes fazendo conteúdo próprio e prestando serviços. O mercado está bem mais oxigenado hoje em dia mas acho que ainda falta muito para que ele seja sólido.

Acho que esse trabalho está bem valorizado se você pensar que antes não existia nada e hoje existe. Ao contrário de antigamente, quando alguém sai da faculdade hoje, consegue um emprego. O grande desafio agora é conseguir criar uma demanda de trabalho em que essas pessoas consigam subir de nível e não se manterem apenas como animadores para o resto da vida, porque se for assim, o mercado pode dar uma estagnada.

Mas eu acredito no mercado brasileiro, justamente pelo fato de existir uma grande valorização do conteúdo criado aqui. As produtoras independentes estão buscando criar conteúdo próprio e isso é interessante e vem se refletindo nos trabalhos que estão sendo valorizados lá fora. Os trabalhos brasileiros com maior reconhecimento internacional são valorizados exatamente pelo fato de serem criativos.

Nauan: Você possui um canal no Youtube chamado ‘Rái Sossaith’. De onde surgiu a ideia de cria-lo?

Thomas: O canal surgiu de uma pequena série, que por sua vez surgiu de um curta metragem.

Tudo começou em um curta chamado Rái Sossaith, em que eu desenvolvi um roteiro para concorrer a um edital chamado Prêmio Estímulo, em São Paulo. Quando ganhei o prêmio, chamei o Jonas Brandão que é hoje um dos sócios da Split Studio, que na época ainda estava começando. Eu chamei ele pra animar justamente porque além de ser talentoso, ele sabia mexer no programa Toon Boom, era meu amigo e curtia o projeto. Depois de pronto, ele e os sócios gostaram muito do resultado e me convidaram pra desenvolver uma série.

Começamos aos poucos e ainda estamos explorando esse ambiente que a gente não conhece muito bem.

Acho que a internet é um canal muito interessante pro formato do Rái Sossaith, que explora temas atuais e celebridades. É um estilo de fazer animação que combina com a internet e a ideia de criar um canal no Youtube surgiu daí. Acho o estilo de humor e de abordagem dos temas é muito ligado ao meu trabalho de chargista, pois a charge também trata de temas atuais, então ambos tem que ser vinculados em mídias rápidas.

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Nauan: O Rái Sossaith tem uma linguagem bem ácida e um humor adulto. Você acredita que isso limita ou expande o alcance de público?

Thomas: Limita pelo fato de ter um público direcionado. Mas acho que os adultos de hoje são mais acostumados com animação por terem crescido com isso. Então acho que o alcance de público pode ser legal sim. Ainda não sabemos ao certo qual é esse público, mas a gente desconfia que é de 25 à 35 anos. Embora eu brinque que nosso humor é para a terceira idade.

Acho que justamente por ser humor adulto e ter essa temática atual, o Rái Sossaith pode expandir bastante seu público na internet. O que pode limitar é o fato de ter muita gente que não gosta de humor que faça críticas ou que tenha uma pegada um pouco mais debochada. O mundo está ficando muito sério, muito cheio de certezas. As pessoas tem ficado muito ofendidas quando são contrariadas. Se você faz uma piada com uma coisa que a pessoa não concorda, vira uma ofensa, uma guerra.

Nauan: O canal está em sua segunda temporada. O que podemos esperar de Rái Sossaith daqui pra frente?

Thomas: Na verdade o canal surgiu agora. Nós fizemos uma primeira temporada para o canal Brasil e após o sucesso dela, entramos em um edital da RioFilme pra desenvolver o canal do Youtube com essa nova temporada de 26 episódios.

Agora estamos na luta pra expandir o projeto e criar episódios maiores. Estamos negociando com televisões, tem um canal bastante interessado no Rái Sossaith. Estamos sempre abertos para quem quiser conversar sobre isso. A gente também está em busca de expandir o formato e o número de episódios porque temas não faltam. Personagens não faltam. Subcelebridades, políticos e subpolíticos estão sempre aparecendo na mídia.

 

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Nauan Sousa

Jornalista, social media e fã de cultura pop. Não gosto de determinar, prefiro analisar. Gosto de palavras, séries, doce e cerveja. Provavelmente você não irá com minha cara logo de cara, mas se você me der 3 minutos e 10 segundos posso te convencer que o 'Sério, Nauan?' vale sua visualização.

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