Big Brother Brasil ainda funciona após 14 anos de exibição?

2016 começou e todo início de ano tem uma nova edição de Big Brother Brasil, pronta para ser amada e odiada por milhões de internautas sedentos por textões no Facebook. Seja para reclamar da atração, comentar o cotidiano dos participantes ou tentar inibir quem critica o programa global. Mas a grande questão é: o BBB ainda funciona?


Quando Big Brother veio para o Brasil, o formato reality show não era tão explorado. ‘Casa dos Artistas’ no SBT e ‘No Limite’ na própria Rede Globo eram o cartão de visitas do estilo ‘jogo da vida real’ no nosso país. Ao chegar na televisão, em meio a esse terreno inexplorado, o BBB virou uma febre, o que era de se esperar. Afinal, inovação era muito mais fácil em época onde a TV aberta era dominadora, e a internet uma pequena. 2002 vimos os primeiros ‘brothers’ ganharem popularidade e status de artistas.

O ser humano é curioso caro leitor, essa invasão de Youtubers hoje, era basicamente o que acontecia com os participantes dos primeiros participantes de reality brasileiro. A fórmula ‘o desconhecido que abriu sua rotina para mim e virou quase um amigo a distância’ funcionou muito bem, e ainda melhor, era uma novela interativa, onde podíamos ligar para mandar o vilão com mais de 90% dos votos para casa para ‘salvar’ os mocinhos.

O tempo passou e edição pós edição do BBB fortaleceu sua marca e deu a atração de Pedro Bial um título de maior programa do gênero no Brasil, recebendo um grande número de telefonemas em paredões, anúncios, destaque em programas de outras emissoras e muita audiência. Colocando nomes como Grazi Massafera, Jean Wyllys, Sabrina Sato, Kléber BamBam, inúmeros Cowboys em capas de revistas e jornais. Porém, a estreia da edição deste ano, que começou nesta terça (19), registrou 24 pontos de audiência, o que não lembra em nada os 49 pontos do primeiro dia de BBB 1, lá em 2002. O que aconteceu de lá pra cá? Muita coisa.
O Big Brother é um formato que vem da gringa e teve sua estreia mundial em 1999. Vários países já deixaram de transmitir a atração pelo desgaste do formato, já no Brasil seguimos firmes e fortes vendo há 14 anos, quase a mesma coisa. Apesar da diferença de cenário físico, personalidades dos participantes, mudança de público, o reality tem poucas alterações realmente significantes de seu formato inicial. Nada mais comum que o cansaço do programa. Mas e aí, BBB ainda funciona? Sim, para os anunciantes que persistem (cada vez menos assíduos), mas para o público, não acho que seja a opção mais interessante ligar na Globo nesse horário. O que pôde sustentar o formato até hoje foi a mudança de público, fator que mudou a linguagem do BBB drasticamente na temporada 2010 (ta aí uma visível mudança que partiu do público e não da direção), onde a web foi levada em consideração e a edição mais conectada trouxe Tessália, uma usuária influente do Twitter, e Serginho, um famoso do Fotolog, para dentro da casa sem precisar de testes prévios (que é como ocorre a seleção do programa).

 

Digo que a mudança foi imposta pelo público, pois na nona edição as pessoas já davam indícios de novas preferências elegendo Max, um jogador assumido, como vencedor. Antes disso os campeões de reality eram participantes que possuíam uma história de vida mais sofrida ou que cativava por formar um casal no melhor estilo novela, encaixa-se aqui Dhomini e Sabrina, ou Alemão e Íris. O público solicitou novos ares e correspondeu a eles, tivemos participantes  e personalidades diferentes ganhando o prêmio após BBB 9 (uma diferença maravilhosamente incrível) e mais uma vez o povo de casa (e não DA casa) tornou o programa interessante de novo, mas sem o sopro de criatividade da direção, o povo só conseguiu salvar poucas temporadas pós fase high tech.

Tivemos novos tipos de famosos depois de tantos anos e do nascimento do novo público que consome realities. Nada de Ex BBB ganhando fama, em 2013 o público elegeu um meme, Inês Brasil, como a consagrada para o status celebridade com apenas um vídeo de inscrição para o reality, sem nenhuma participação. E cadê as pessoas que conseguiram entrar naquela edição? Não sei bem, mas a hilária Inês tá aí até hoje, lançando bordões e colhendo frutos de um show que nem teve a sensibilidade de citá-la ou de considerar um quadro humorístico para a Ex aspirante a Sister, se o fez não vi por ter desistido desse formato quadrado que virou a ‘nave louca’ (que não tem mais nada de louca há tempo). Porém Inês não precisou de nenhuma migalha, mesmo que da maior emissora da América Latina, ela já era a BBB que deu certo, mas espera, dessa vez ela só precisou da internet e touché.

 

Audiência? Essa mudou, nada de grandes picos como no auge do BBB 5. Então chegamos ao ano passado, em que a atração quis voltar as suas raízes com perfis de jogadores similares aos dos primeiros programas, ou a edição que ex-participantes voltaram e a esse ano que a proposta não está muito clara apesar de terem colocado uma Youtuber dentro da casa. Tá tudo muito confuso, a fórmula acabou e há um visível lado criativo desgastado e cansado de fazer algo que ele nunca precisou fazer, inovar de uma forma arrasadora. Afinal, dava certo quando era novidade.
Entretenimento? Não. Big Brother está a cada edição mais sem graça, previsível e tedioso. Existem outros formatos a serem explorados. O expectadores estão saindo da casa mais famosa do Brasil para os streamings, séries e realitys estrangeiros. O último a sair feche a luz cantando ‘iarnuou’ para lembrarmos que um dia deu para se divertir por ali.

 

Recorrendo ao arquivo eliminações e os discursos de Pedro Bial, achei um que se encaixa ao programa, é o de Eliéser na décima edição. Adaptando para esse contexto preciso remeter as palavras de Bial para dizer: Moçada o jogo da TV aberta vai começar agora, onde é preciso inovar para atender os exigentes telespectadores. Rapaz já ia esquecendo a eliminação de hoje. Deixa eu ver aqui no fichário de São Pedro. Ih rapaz, seu paredão foi há anos atrás. Vem brincar de ex campeão de audiência aqui fora, Big Brother Brasil!

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Nauan Sousa

Jornalista, social media e fã de cultura pop. Não gosto de determinar, prefiro analisar. Gosto de palavras, séries, doce e cerveja. Provavelmente você não irá com minha cara logo de cara, mas se você me der 3 minutos e 10 segundos posso te convencer que o 'Sério, Nauan?' vale sua visualização.

Um comentário em “Big Brother Brasil ainda funciona após 14 anos de exibição?

  • 21/01/2016 em 03:15
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    Verdade. Acho que já perdeu a graça assistir pessoas enjauladas sedentas por fama e dinheiro de maneira rápida e sem muito esforço.

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