Crítica | X Factor Brasil estreia fraco de edição, de candidatos e com jurados perdidos

Mais um reality musical mundial ganhou uma versão verde amarela na TV Aberta. Dessa vez, o famoso X Factor virou uma atração da Band, ganhou um super cenário (digno do tamanho da franquia), jurados e apresentação de Fernanda Paes Leme. Porém, todavia, entretanto, a estreia do show foi bem fraca e irrelevante, os jurados não pareciam a vontade para estar na bancada e os candidatos escolhidos pela edição não foram dignos de estreia. Bem vindos ao X Factor Brasil?

Quando eu soube que o X Factor ia ganhar uma versão brasileira na Rede Bandeirantes fiquei bem empolgado, afinal o trabalho que a emissora tem feito com MasterChef é muito bom. Então vieram teasers, fotos, contratações dos jurados e da apresentadora e tudo pareceu bem OK, até o dia da estreia (Não vou falar sobre a bagunça que aconteceu na audição, porque a avaliação é sobre o produto que foi ao ar).

Jurados
A escolha dos técnicos parecia boa. Di Ferrero, Alinne Rosa, Rick Bonadio e Paulo Miklos formam um bom time se você for parar pra pensar, mas na hora da execução foi tudo muito morno. Rick, ao fim de algumas audições, virava para falar sobre um candidato para outros jurados e parecia estar lendo um script mal feito. Às vezes o produtor musical soltava umas frases que já tínhamos ouvido em outras versões estrangeiras do programa, mas em português. Pareciam falas roteirizadas e dava um pouquinho de vergonha alheia. Já Paulo não se destacou muito, parecia mais acanhado que os outros.

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Imagem: Reprodução

Di deu uns ‘SIMs’ duvidosos e Alinne se esforçou muito para parecer um Simon Cowell, e não, definitivamente não rolou, em alguns casos ela apenas foi grossa, como quando ela disse a candidata Jéssica que daria não para ela e para o universo paralelo que ela vivia.
Estavam perdidos, todos, e o pior, perdidos dentro das versões gringas e pouco preocupados em parecerem naturais para o público brasileiro. O formato americanizado tá lá pessoal, não precisa americanizar a forma de falar para deixar o reality grandioso, The Voice Brasil tá aí em sua milionésima edição pra provar isso.

Edição
Nossa, o X Factor teve audições sofríveis e o pior, a edição não cortava. Tivemos que escutar uma audição extensa da candidata V. Killer que gritava mais do que qualquer outra coisa.

Outro ponto negativo na edição foi a escolha do candidatos que foram ao ar. Tirando as irmãs Sweet Dreamers que os jurados quiseram separar no fim do episódio (e virou uma novelinha até legal), os outros candidatos podiam ter sido espalhados em outros episódios e nessa estreia ter usado mais vozes fortes e mais momentos engraçados, foi tudo bem esquecível.

Imagem: Facebook X Factor Brasil
O drama das Sweet Dreamers / Imagem: Facebook X Factor Brasil

Até acharmos a primeira voz excelente, passamos por momentos mornos e entediantes em frente a TV. Não é o que se espera de uma estreia.

Sentimentalismo desnecessário
Sabemos que X Factor USA em sua season 1 era um sentimentalismo só. Nele vimos gente chorar a torto e a direito e meu sonho era que não fosse esse o molde do primeiro X Factor Br.

Na verdade não usaram 100% drama, mas logo na primeira audição, nem tínhamos pegado o clima do reality, nem tínhamos ouvido ninguém, nem sabíamos como os jurados iam se sair como jurados, e começou um banho de lágrimas desnecessário na audição de Luan Lacerda. Foi tudo tão dramático que parecia que estávamos sintonizados numa novela mexicana ruim. Teve abraço e candidato ajoelhado no chão chorando. Poderiam ter usado essa audição pro meio ou pra outro episódio, podiam, mas já quiseram fazer a linha lenço de papel no primeiro minuto do primeiro tempo.

Apresentação
Fernanda Paes Leme foi Fernanda Paes Leme, inclusive fiquei feliz de ela ser a única brasileira do elenco, já que tava todo mundo pagando de gringo e falando “Você tem o X Factor”! Claro que Fernanda deu umas boas exageradas no sentimentalismo, né? Teve uma hora que um candidato tinha aberto a boca pra cantar e já cortaram pra Fernanda que comentou “Que lindo!”. Calma, amiga, o cara nem tinha cantado.

Cenário
O palco do X Factor Brasil é lindo, a estrutura física me pareceu (pela TV) legal e não deixou a desejar em tamanho para as outras franquias. Foi bem legal ver todo o cenário montado, acho inclusive que foi o ápice do programa ver aquela qualidade.

Resumo 
De 0 a 10 a estreia do X Factor da Band pegaria seguramente uns 4. Foi bem fraco para estreia e não fez nem cócegas em outros programas do gênero que estão no ar ou que já passaram por aqui como Ídolos e The Voice Brasil. Claro que o Twitter salvou muita coisa, e eu não posso me imaginar assistindo aquilo sem, ao mesmo tempo, ver a galera da internet comentando, pois foi realmente tudo muito morno, tudo muito ‘promessa ainda a cumprir’, mas também deixou a sensação de que esse não é o veredito final, quem sabe uma evolução vem nos próximos episódios. Só não garanto que a audiência aguente mais uns 2 desse!

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Nauan Sousa

Jornalista, social media e fã de cultura pop. Não gosto de determinar, prefiro analisar. Gosto de palavras, séries, doce e cerveja. Provavelmente você não irá com minha cara logo de cara, mas se você me der 3 minutos e 10 segundos posso te convencer que o 'Sério, Nauan?' vale sua visualização.

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