Crítica | Porque não tem sentindo odiar ‘Perfect Illusion’ de Lady Gaga?

Não posso mentir e dizer que não estava torcendo para Lady Gaga pousar com todo seu pop em uma era rock. Sim, eu estava, desde as guitarras da era ‘Born This Way’ eu senti que o mundo merecia uma Gaga mais rock, tanto que quando ‘Perfect Illusion’ saiu eu respirei aliviado e pensei, ‘exatamente onde eu queria ver a Gaga estar’.

Perfect Illusion é uma decisão arriscada para Lady Gaga como primeiro single de um novo álbum, principalmente quando seu antecessor foi um álbum de jazz que gerou uma comoção imensa de volta ao pop. Porém, o rock da Gaga é pop, um outro formato de pop, uma outra ótica, mas com refrão chiclete e batidas repetitivas viciantes.

Quando algumas críticas pesadas em cima do novo single da cantora começaram a aparecer na internet pensei que estivesse surdo ou ouvido outra música no lugar da ‘Perfect Illusion’ original. Foi aí que percebi que eu realmente estou feliz do pop ter ganhado esse novo ar agora. As pessoas precisam parar de esperar que artistas como Lady Gaga entreguem o que já existe, o que já foi entregue. ‘Perfect Illusion’ é uma evolução, porque Gaga já mostrou que não é uma artista que se acomoda com seu status, ela testa, testa, testa, e tudo isso na frente do mundo. Não que rock já não tinha sido inserido ao pop antes, nada disso, mas trazer isso à tona de novo, e trazer vocais limpos para um come back foi ousado. Gaga põe sua evolução pessoal, suas influências e sua maturidade em cada era, e isso é ótimo para a indústria. O pop não precisa ficar parado e fazendo isso com a maestria que Perfect Illusion está fazendo, é importante.

Exemplo: Houve uma era não tão distante onde músicas estilo David Guetta habitavam as rádios, o Youtube, a TV e o pop de maneira insistente. Não estou dizendo que foi ruim, não estou dizendo que Gaga não fez parte disso, mas ela entregou sua contribuição e foi embora. É assim que funciona, e caso você não saiba a hora de deixar a festa, você fica para trás junto ao seu estilo. O pop já mostrou que é assim que ele sobrevive, de reivenções e readaptações. Em uma era Guetta, um Revival da Selena Gomez não teria surtido efeito, em uma era pop rock Hilary Duff, Bagerz da Miley não seria uma opção em playlist. Ou seja, se o pop não girar, novas propostas não vão aparecer e ele cairá no cansaço. Que bom que tem Glory, que bom que tem Perfect Illusion, que bom que tem Revival, que bom que o pop tem várias vertentes e música não morre. Os saudosos de The Fame Monster tem toda essa era imortalizada em disco. Porque não ouvir se não gostou de Perfect Illusion? O importante é deixar correr, deixar o pop se reinventar, se recopiar. Existem trabalhos ruins no meio disso, sim, mas não é o caso, Perfect Illusion é ótima, talvez só não seja o que você esperava. Odiar isso não faz sentido, odiar esse tipo de mudança é se fechar para novas influências e artistas que podem surgir a partir do novo. Odiar Perfect Illusion pode significar odiar trabalhos de seu artista favorito no futuro. Afinal, quem viu Britney citar Revival da Selena recentemente? Acho que isso diz muita coisa para fãs de Britney que possam ter renegado a cantora teen no lançamento de seu disco.

https://www.facebook.com/RDTLadyGaga/videos/592543204266467/

Em tempo, o mundo compreendeu isso. Perfect Illusion está indo muito bem nos charts, em vendas no iTunes e Gaga está tendo uma ótima audiência nas rádios com sua nova música, essa recepção nem se compara a que a cantora teve com seu antigo first single, Applause.

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Nauan Sousa

Jornalista, social media e fã de cultura pop. Não gosto de determinar, prefiro analisar. Gosto de palavras, séries, doce e cerveja. Provavelmente você não irá com minha cara logo de cara, mas se você me der 3 minutos e 10 segundos posso te convencer que o 'Sério, Nauan?' vale sua visualização.

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