Crítica | Para ser pelo menos uma série ruim Haters Back Off tem que trabalhar um pouco mais

A Netflix lançou mais um série original recentemente e o resultado foi uma chuva de close errado de uma personagem principal completamente sem carisma. Haters Back Off pode até ter alguns bons momentos, mas seu resultado final se resume a um desastre sem tamanho e a um enredo completamente imbecil para um final reflexivo.

Do que se trata
Miranda Sings (Colleen Ballinger) se lança como youtuber para atingir a fama. Dona de uma prepotência absurda a personagem passa por uma série de situações inusitadas para alcançar o estrelato. Enquanto Miranda está fazendo birra com todos para se tornar uma celebridade, Bethany, sua mãe, está satisfazendo todas as suas vontades e esquecendo de cuidar de si mesma e de sua outra filha, a única lúcida da série Emily (Francesca Reale). A produção da Netflix tem, também, o pior personagem já criado em uma série, o Tio Jim (Steve Little), que nada mais é que um folgado sem noção que protagoniza piadas meio incestuosas com a sobrinha.

A série tenta fazer humor non sense e pesa a mão no ‘politicamente incorreto’, ao ponto de deixar o telespectador desconfortável em diversas cenas. O que era pra ser uma grande sátira da fama instantânea, se tornou em um show de mal gosto.

Imagem: Reprodução

O início de tudo
Os primeiros minutos de Haters Back Off são insuportáveis. Começamos com a antipática Miranda Sings (Coleen Ballinger) cantando Defying Gravity para um vídeo de Youtube. O que era para soar engraçado, soa forçado, porém alguns bons momentos tomam sequência com o desenrolar da história.
É inegável que Miranda consiga arrancar alguns sorrisos em algumas cenas como, por exemplo, quando ela canta Don’t Cha das Pussycat Dolls em um coral de igreja. Porém, a personagem não funciona para uma série. Digo isso, pois para quem não sabe Miranda Sings é uma personagem fictícia, desenvolvida na Internet desde 2008 pela Ballinger, e talvez para os vídeos bizarros ela funcione, mas para uma série da Netflix não dá. Isso explica porque o carisma e humor da protagonista só funciona em poucos e pontuais momentos.

Família
Como tudo gira em volta de Miranda, sua família é o grande foco do enredo de Haters Back Off. Temos Emily, uma garota talentosa e irmã de Sings, que é desacreditada pela sua família. Emily é um personagem que resgata a lucidez de tantos momentos bestas da série, é como se fosse um ponto de luz em meio a uma metralhadora de humor bosta. Nesse tipo de comédia é comum termos sempre um personagem ‘tradicional’ e sempre damos risadas deles por vê-los em situações estranhas, nesse caso temos sempre pena de Emily, sempre.

Completamente insegura e submissa a sua família Bethany é uma personagem meio desligada que a todo custo tenta fazer as vontades de Miranda. Essa personagem é completamente linear, e isso é sacal, quando ela toma alguma reação você meio que percebe “Ah! Ela ainda está aí!”. Além disso, achei que pesaram a mão na submissão de Bethany, ok que era uma sátira, mas teve momentos que deram brecha para um discurso machista e isso é bem desconcertante, o que nos leva ao personagem mais detestável de todos (e olha que ele está numa série protagonizada por Miranda Sings) o tal do ‘Tio Jim’. É tanto close errado no Jim que não tem nem por onde começar. Primeiro, o cara satisfaz todas as vontades da sobrinha enquanto menospreza e humilha Bethany e Emily em várias cenas, além de ter criado um roteiro de teatro para uma versão (que me soou pedófila) de Annie, com direito a falas como “Beije meus lábios macios de órfã, papai Warbucks”(Ep.05) e sugeriu que iria fazer o Warbucks quando o ator do papel desistiu (Miranda era Annie). Ou seja, que merda eles estavam pensando? Não foi engraçado, foi errado e constrangedor TODO o episódio 5.
No fim das contas você passa toda a série sem um personagem favorito. Não tem nada de atraente neles, alguns você não só não se identifica, como despreza. Não é querer ser o bom moço, já vi muitas cenas em muitos filmes com humor pesado, mas esse episódio 5 de Haters Back Off ultrapassa os limites do bom senso.

Lição social no final para disfarçar o quão ruim é a série
Apesar de todos os pesares, quem conseguir chegar até o oitavo e último episódio de Haters Back Off pode entender um pouco da lição que a série estava destinada a dar, mas andou se perdendo mesmo com poucos episódios. Vemos ao fim uma Miranda em lágrimas e abandonada por todos. Foi um acerto o final? Foi. Não que eu ache que as pessoas mereçam ser deixadas, mas quem assistir a série vai entender a crítica feita para vários jovens que hoje só pensam em si e em serem famosos, esquecem o real significado da vida real e das pessoas que o cercam. É válido, mas pelo amor de Deus apaguem o maldito 5º episódio! (Nenhuma lição de moral compensa os péssimos discursos que os outros 7 episódios passam).

Resumindo…
Haters Back Off tinha tudo para ser assistível como Kimmy Schmidt, mas se perde em meio a pretensão de querer ser non sense demais, a ponto de apelar para situações de humor bobo de cocô e personagens comendo de boca aberta para vermos sua mastigação e cuspe de comida no final. Tem um final reflexivo, tem cenas engraçadinhas, mas não recomendo, não. Perda de tempo total porque os minutos bons não compensam em nada os episódios horríveis e sem graça, porque para ser ao menos ruim, Haters Back Off precisaria ter trabalhado mais.

haters
Imagem: Reprodução

Miranda, Back Off!

 

Avaliação

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Nauan Sousa

Jornalista, social media e fã de cultura pop. Não gosto de determinar, prefiro analisar. Gosto de palavras, séries, doce e cerveja. Provavelmente você não irá com minha cara logo de cara, mas se você me der 3 minutos e 10 segundos posso te convencer que o 'Sério, Nauan?' vale sua visualização.

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