Desculpe o transtorno, mas precisamos dar a coroa de artista mais relevante de 2016 para Clarice Falcão

Clarice Falcão foi, talvez, a artista mais providencial de 2016. Sim,  em épocas de ataques políticos bruscos (de eleitores e políticos) na internet e uma assustadora onda conservadora aparecendo, Clarice colocou sua arte para debater temas importantes, relevantes e abriu reflexões, que expôs o brasileiro. Sim, expôs fraquezas da sociedade como um todo.

Quando o ano começou, verdadeiramente, o empoderado cover de Survivor da Clarice Falcão já estava sendo amplamente discutido na internet. O clipe, que foi colocado no Youtube em novembro, nos mostrou mulheres usando (ou não) batom vermelho em uma clara referência ao empoderamento feminino.

Ponto pra Clarice que já começou 2016 debatendo o feminismo de maneira clara e tão cheia de significado. Deu para sentir que as causas de Clarice não são comerciais, ela não está na música apenas para vender hit e não utiliza suas crenças apenas para promoção. Ela sabe o que quer dizer e sua coragem não só diz, mas também expõe o quanto a sociedade precisa de mais artistas que abracem a igualdade.

Se parou por aí? Not! Em fevereiro Clarice lançou seu segundo álbum de estúdio, Problema Meu. Produzido por Kassin com colaboração de Diogo Strausz, o novo cd mostrou uma Clarice ainda mais madura do que em seu primeiro álbum e referências que te fazem viajar do indie, passando pelo eletrônico e também pelo brega, sim, pelo subestimado, por mim adorado brega. Destaque para as maravilhosas faixas “Vagabunda”, “Irônico” e “Banho de Piscina”.

O cd de Clarice é um dos maiores lançamentos que 2016 pode se orgulhar de ter vivido e de presente ganhamos da cantora um clipe todo carnaval de rua para “Irônico”.

O ano passado ainda nos mostrou Clarice nos cinemas e um buzz imenso em cima de uma carta declaração de Gregorio Duvivier (ex-namorado da cantora) falando sobre a cantora.

Mas, o que tornou, pra mim, 2016 o ano de Clarice foi sua música. Então voltando a sua carreira, Falcão lançou um videoclipe para “Eu escolhi você”. O clipe que contém nudez explícita (de forma não sexualizada) mostrou uma celebração ao corpo sem grandes pretensões de poesia profunda como explicou a própria Clarice no Facebook e Twitter:

Fato é que as pessoas se chocaram, o clipe durou pouco mais de 12 horas no ar e até agora eu, particularmente, estou chocado como as pessoas tabulizam o corpo humano e como elas não tem argumento para nada. Digo isso porque vi comentários de pessoas comparando o clipe de Clarice a objetificação do corpo, quando não faz sentido essa comparação. Clarice foi simples, apesar de polêmica e mostrou o que todos nós possuímos, sem sexualizar e o que muitas vezes está exposto em carnaval e simplesmente a sociedade repudiou isso. Vi gente reclamando dos pêlos das pessoas. Foi uma experiência que realmente é digna de estudos. Vimos uma parcela da sociedade dependente de padrões estéticos, vimos pessoas encarando o corpo com repúdio, vimos gente enfiando discursos políticos pra falar sobre o clipe, vimos gente enfiando discursos religiosos para falar sobre o clipe, vimos, sentimos, o quanto as pessoas podem ser hipócritas. E Clarice mostrou tudo isso na sua arte. De forma simples, com produções simples e mensagens fortes dentro da simplicidade.

(Ps: Vou postar o vídeo aqui, mas por conter nudez explícita ele é recomendado apenas para maiores de 18 anos. Ok? Então ok!)

Por quebrar a internet, por usar sua imagem para mandar mensagens de igualdade, por nos fazer refletir, por ter um álbum foda, 2016 foi de Clarice e sim, espero que 2017 tenha muito mais dela por vir.

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Nauan Sousa

Jornalista, social media e fã de cultura pop. Não gosto de determinar, prefiro analisar. Gosto de palavras, séries, doce e cerveja. Provavelmente você não irá com minha cara logo de cara, mas se você me der 3 minutos e 10 segundos posso te convencer que o 'Sério, Nauan?' vale sua visualização.

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