‘Glory’ com vendas baixas e ‘Joanne’ criticado pelas pessoas: O que tá acontecendo com o público pop?

2016 já acabou, mas deixou uma interrogação para os cantores e admiradores do mundo pop: O que as pessoas querem?

Está cada vez mais difícil entender os consumidores do pop. Digo isso porque foi difícil engolir as vendas baixas de Glory e as críticas populares de Joanne. Dois álbuns primorosos que estão sendo tratados de qualquer forma pelo público. Mas, vamos por partes. Primeiro falaremos de Glory.

 Não vejo Britney Spears tão feliz em uma era há anos. Glory marca um novo jeito da Spears se apresentar ao público. Sem se apoiar nas batidas que a tornaram uma lenda, a cantora entregou ano passado um álbum cheio de emoções e consistência. O cd que começa seus trabalhos com a dupla maravilhosa ‘Invitation’ e ‘Make Me’ deixa Spears em um novo ângulo dentro de sua própria carreira. Ela está suave, está confortável, e sonoramente nos passa tudo isso. Glory é um excelente álbum com destaques para ‘Slumper Party’ que ganhou feat e clipe com Tinashe. O difícil de entender nessa história é como um álbum desses pôde ter vendas tão baixas. Precisamos refletir.

Britney é uma lenda, como já dito. E como vocês já sabem, ela passou por poucas e boas em frente as câmeras já que cresceu rodeada delas. Musicalmente, Britney apostou em seu lado ‘Bitch’ como gosta de se intitular em suas canções, mas dava pra ver que não era mais exatamente isso que ela queria. Apresentações mecânicas, singles sem divulgação reforçam a minha teoria de que Spears estava pra lá de desconfortável em ter que permanecer dentro da personagem que ela mesma criou, que por sinal é maravilhosa, mas não casa com a nova Britney. ‘Glory’ representa o que talvez a cantora queria passar em ‘Britney Jean’ e se viu presa às batidas completamente desatualizadas de will.i.am (sim, gente, ele se perdeu no tempo e ainda acha que o “tuts tuts” é o elemento mais inovador de todos). Por isso vejo o disco novo de Spears como uma evolução natural da cantora. Britney finalmente saiu da casca de popstar e entregou para as pessoas o que ele é agora, e vamos combinar que sonoramente falando ela soa incrível. Porém, todavia, entretanto, as pessoas ainda acham que Britney tem que lançar músicas de bater cabelo o tempo todo e se distraem na possibilidade de Toxic 2.0 enquanto ela vem nos dando materiais incríveis, completamente diferentes de outras eras. Não que a princesa do pop mudou e agora é uma “Andressa Urach” da música mundial, não é isso, é gradativo. Ela ainda é uma performer, cantora, só que musicalmente mais madura do que há um disco atrás, pelo menos. As pessoas não estão preparadas para a evolução de Britney, não estão preparadas para Glory, mas elas precisam entender que pop não é só bate cabelo, e que ainda tem muito do mesmo por aí. Hora de exaltar a qualidade, não é? Ouvir álbuns completos e sentir as músicas. Nem tudo tem que ser obrigatoriamente para dançar até o chão. Refletir, sentir, ouvir também é pop. Enfim, vendendo cd ou não, Britney só reforça a cada minuto que não precisa mais de aprovação, ela não tem que provar nada a ninguém, ela já é Britney, seja ‘Bitch’ ou não. Quem perde com a baixa venda de Glory é apenas quem não teve o prazer de perceber essa máquina de hinos.

Aí chegamos em Joanne da Lady Gaga, que não está mal de vendas, muito pelo contrário, mas tem um caminho espinhoso quando o assunto é aprovação do público. Assim como Britney tem que aguentar comparações com suas eras anteriores, Gaga vive a comparação de ‘Joanne’ com ‘The Fame/The Fame Monster’. Não consigo realmente entender o porque as pessoas se apegam tanto ao que passou a ponto de quererem reproduzir o pop em um looping infinito. Mas vamos lá, serei mais didático. Quando Gaga surgiu era difícil entender de cara sua proposta, mas hoje podemos ver claramente que ela é uma artista distinta em cada uma de suas eras. Poucas são as semelhanças de uma era e outra da intérprete de ‘Perfect Illusion’. Ela faz isso de forma tão palpável que podemos, por fotos, adivinhar qual era ela está em cada imagem. Lady Gaga além de cantora é ícone fashion, então cada período de divulgação de cd seu vem com o pacote completo com looks, performances e singles. O pop precisa da reinvenção e eu tinha comentado sobre isso quando saiu ‘Perfect Illusion’.

As pessoas precisam entender que nostalgia é maravilhoso, mas deixar a música pop se reinventar é ainda mais maravilhoso e saudável. Gaga faz isso. Ela se reinventa, ela busca novas formas de expressão e ao invés de aproveitar isso as pessoas estão querendo um Bad Romance 2.0. Como ouvinte assíduo do novo álbum da cantora estadunidense e ciente das críticas feitas, posso afirmar que Joanne é sem dúvida um dos melhores álbuns da Lady Gaga e seus vocais, mais puros do que nunca em um material de estúdio, mostram a qualidade do seu trabalho. Sim, digno de Grammy. Um material que poucos cantores conseguem entregar e quem perde em criticar ao invés de ouvir, é, também o público. Destaques para as faixas ‘Joanne’, o single ‘Million Reasons’ e ‘Diamond Heart’.

Resumindo tudo, 2016 foi ano de ver as pessoas presas a um passado (até politicamente falando, mas isso é outro assunto) e com discurso bobo de que um hit tem que ganhar novas versões. Um desejo para 2017 é que as pessoas se abram para o novo, tem muita coisa boa para ser lançada e é hora de dar mérito a elas e abraçar as novas tendências. Quando sentir saudade de alguma época do pop, faça que nem eu, agarre no spotify e ouça a década musical que você preferir. Não se engane, o pop anda em círculos, já já sua tendência favorita volta, mas deixe os músicos evoluírem, deixem e apreciem porque isso é ótimo para a música.

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Nauan Sousa

Jornalista, social media e fã de cultura pop. Não gosto de determinar, prefiro analisar. Gosto de palavras, séries, doce e cerveja. Provavelmente você não irá com minha cara logo de cara, mas se você me der 3 minutos e 10 segundos posso te convencer que o 'Sério, Nauan?' vale sua visualização.

Um comentário em “‘Glory’ com vendas baixas e ‘Joanne’ criticado pelas pessoas: O que tá acontecendo com o público pop?

  • 12/01/2017 em 5:50 AM
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    Sobre a resenha? Incrível! Sou fã de longa data da Britney, e quando ouvi “Glory” pela primeira vez, fiquei chocado. Não estava ali aquela Britney que ditava tendências, que fazia músicas peculiares do qual só ela é capaz de fazer. Uma álbum forte, com músicas incríveis, porém que dá espaço a muitas faixas fracas, e seguindo o padrão do modismo e hoje em dia, o que não poderia ocorrer em vista da carreira notável em álbuns que sempre foram considerados pelo públicos os melhores.

    Claro que a vendagem tem muito a ver com o envelhecimento do público dela, o que fez muitos dos trabalhos atuais vindos dela caírem no ostracismo. Muitas das pessoas que foram as lojas comprar aquele montante de milhões de Cds dela no passado, talvez não se identificam mais com o que ela se propõe a fazer, mas de qualquer forma foi muito arriscado, praticamente não existe em “Glory” a Britney que se consagrou no ‘batidão’. Da mesma forma ocorreu quando as baladas acabaram dando espaço massante para as músicas dançantes nos álbuns dela, o que fez com que muitas pessoas não se identificassem mais com o trabalho dela. E por aí vai…

    A equipe dela infelizmente da mesma forma que a superestima, a subestima demais. Achando que ela é capaz de alcançar números satisfatórios sem uma divulgação massiva, acham ao mesmo tempo que não há meios de trazer a tona um trabalho grandioso e inovador, adulto, que poderia classifica-la como uma grande artista, e não ser só base para o que ela é como performer (músicas voltadas as boates, danceterias, muitas delas extremamente radiofônicas e chiclete), o que se ocorresse ao contrário chamaria a atenção dos velhos admiradores (por motivos de inovação, e maturidade), mas como também de novos admiradores, por conta da peculiaridade sempre encontrada nos álbuns lançados até o final da década passada, mas que hoje a geração novata desconhece.

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