Crítica | Com apenas 8 episódios Desventuras em Série já uma das melhores produções da Netflix

Na última sexta-feira 13 a Netflix ganhou mais um título para seu diverso catálogo de seriados, o sombrio e cômico Desventuras em Série. Com produção original da própria Netflix, a primeira temporada da trama Baudelaire acerta em cheio quando o assunto é elenco e roteiro.

Sinopse:

Baseada em uma série de treze livros escrita por Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel Handler), a nova produção da Netflix conta a história das desventuras de 3 órfãos após a morte de seus pais em um incêndio. Para piorar tudo, eles precisam enfrentar um vilão sem limites chamado Conde Olaf que quer possuir suas guardas legais para ter acesso a uma fortuna em herança. Misturando humor com um clima sombrio, a série tem sido elogiada por ser fiel aos livros que deram origem a trama.

Elenco:

É muito difícil ver um elenco tão “afiado” como é o de Desventuras em Série. Os personagens são realmente parte do mundo criado pela Netflix para a série e a atuação dos atores ajuda imensamente no resultado final que já podemos ver no serviço de streaming.

Imagem: Reprodução
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Pontos de destaques para Malina Weissman que interpreta Violet e Louis Hynes que dá vida a Klaus, os irmãos que junto a bebê Presley Smith estão na maior parte das cenas da série e estão muito bem em seus papéis, numa sintonia que nos faz relembrar quando Desventuras virou filme e tivemos a ótima dupla Emily Browning e Liam Aiken nesses papéis. É realmente incrível de ver como são bons e como foram feitos para esses personagens. Outros bons momentos no quesito atuação que devem ser citados é a Juíza Strauss de Joan Cusack, o Monty de Aasif Mandvi e a tia Josephine da Alfre Woodard. Não consegui detectar um ponto fraco em atuação, sinceramente.

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Imagem: Reprodução

Falando em atuação, outros bons momentos eram as intervenções de Patrick Warburton como o narrador Lemony Snicket. Dando o tom de “não assista essa série” e “você não vai ver finais felizes”, seu personagem tem um jeito particular de conduzir a história que prende o telespectador. Ele é informativo, mas também opinativo, é trágico, mas também sarcástico. Ponto pra Netflix de novo.

Conde Olaf:

Claro que eu teria que citar Neil Patrick Harris, não é? Despontando como o nome mais famoso da série na pele do personagem mais icônico da trama, o ator dá um verdadeiro show com Conde Olaf.

Quem me conhece sabe o quanto fiquei com pé atrás com o que seria feito com um personagem que esteve tão brilhantemente interpretado por Jim Carrey nos cinemas, mas Harris tornou Olaf ainda mais sombrio e cínico, características que já eram bem acentuadas com Carrey. O que eu quero dizer é que em termos de comparação (porque é difícil não comparar nesse caso) Jim permanece sendo um Olaf maravilhoso, mas Patrick consegue ser ainda melhor. Tudo ajuda o vilão nessa série, o roteiro, a caracterização, o ator, as atuações que o cercam. Olaf foi para um novo nível e de tão bom você chegar a sentir nojo dele em vários momentos.

Roteiro, Cenário e Figurino

Falando em roteiro e figurino, Desventuras em Série é tão boa assim porque sua produção está além de excelente.

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Imagem: Reprodução

A caracterização dos personagens reforçam suas personalidades, as cores dos cenários que por vezes paira em tons mais cinzentos dão um ar sombrio que a trama precisa e o roteiro é muito bom. Desventuras em Série é coesa e interessante. Se em algum momento ela começa a ficar linear, algo acontece e te coloca de volta ao vício que é ver a saga dos órfãos Baudelaire.

Final feliz?

Eu acabei sem querer fazendo uma análise comportamental de recepção comigo mesmo em Desventuras em Série. Eu esperei os finais felizes. Eu torci para a Netflix mudar a rota e dar felicidade logo para os Baudelaire. Acho que estamos tão condicionados a histórias que seguem um ritmo que termine em “felizes para sempre” que em alguns momentos Desventuras pode até incomodar. Quando escrevo em incomodar é o fato de “Meu Deus, parem de torturar essas crianças e façam com que elas sejam felizes”. Claro que isso é tudo interno. Desventuras é um ótimo instrumento de análise de quanto você tem empatia pelas pessoas.

Imagem: Reprodução
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Não conte com finais felizes em Desventuras, o narrador avisa, mas a esperança é a última que morre.

Ps: Não ouça a Netflix, assista Desventuras em Série. Hoje. Já!

 

Nota 5,0: Perfeito! Você precisa assistir.

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Nauan Sousa

Jornalista, social media e fã de cultura pop. Não gosto de determinar, prefiro analisar. Gosto de palavras, séries, doce e cerveja. Provavelmente você não irá com minha cara logo de cara, mas se você me der 3 minutos e 10 segundos posso te convencer que o 'Sério, Nauan?' vale sua visualização.

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