Crítica | ‘50 Tons Mais Escuros’ é apático e intensifica o sexo porque é mal construído

‘50 Tons Mais Escuros’ já está em cartaz nos cinemas e volta com cenas sexuais mais intensas e mais apatia no enredo. Com 5 Framboesas de Ouro na conta devido ao fiasco em críticas no primeiro filme, a franquia que é inspirada na obra de E.L. James, chegou mais uma vez nas telonas para mostrar que cada tonalidade de Grey e Ana são dispensáveis para o cinema.

 

Sinopse

Após rompimento, Christian Grey (Jamie Dornan) e Anastasia (Dakota Johnson) decidem retomar o relacionamento, só que com as condições dela.  No meio do caminho alguns obstáculos do passado de Grey e do presente de Ana começam a ameaçar o jovem casal.

Enredo

Fraco. É como pode ser definido o enredo de ‘50 Tons Mais Escuros’. Apesar de estar melhor que o primeiro filme, a continuação da saga Grey e Anastasia beira a apatia. Com um roteiro que dá para ser desenvolvido, a trama é um ciclo de “temos um problema, resolvemos e vamos seguir em frente”. Isso prejudica muito o resultado final da obra, afinal temos a sensação de que quase nada aconteceu. Por exemplo, em questão de segundos o helicóptero de Grey cai, depois ele surge sobrevivente, tudo certo. Ana se vê na mira de um revólver de uma ex-submissa de Grey, tudo se resolve e passa para outra cena. As problemáticas do filme nunca evoluem, são resolvidas de forma simplória e passadas a frente durante 118 minutos com intervalos para cenas de sexo.

Falando em cenas de sexo, ‘50 Tons Mais Escuros’ intensificou o que seu primeiro filme não fez. Com situações que trabalham a tensão sexual e o ato em si, Cinquenta Tons joga na cara do telespectador que a trama é sexual e dá a quem paga o ingresso o que a pessoa espera nesse aspecto. Apesar disso tornar tudo ainda mais raso e vago. O filme então estaria ali só pra mostrar sexo e não trabalha na trama em volta disso? Pareceu que sim. Temos na telona um produto mal trabalhado e que apela para o sexo, que não deveria ser mais tabu na sociedade, para se tornar viável.

 

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Elenco

Finalmente Jamie Dornan e Dakota Johnson passam ao público ter alguma química entre seus personagens. A atuação de ambos evoluíram um pouco e parecem mais confortáveis do que no primeiro filme. Já Eric Johnson tem um desempenho desastroso como Jack Hyde. O cara passa do chefe de Ana para um assediador nojento e um psicopata sem nenhuma nuance. Muito ruim. O resultado final de sua participação no filme dá vergonha alheia.

Sobre Kim Basinger, alguém poderia me dizer porque sua Elena foi tão mal aproveitada no filme? Sério, fizeram o que poderia ser maior obstáculo do casal, portanto maior gancho do filme, sair por uma porta após uma cena patética de drink sendo jogado em seu rosto no melhor estilo novela mexicana clichê? Alguém tem que situar a produção desse filme e explicar que a linguagem de cinema requer bons ganchos e boas histórias a todo tempo.

Imagem: Reprodução

 

Trilha Sonora

A grande salvação de ‘50 Tons Mais Escuro’ está, definitivamente, na trilha sonora. Sim, as faixas de Sia, Tove Lo, Nicki Minaj com Nick Jonas e a parceria de Taylor Swift e Zayn são colocadas perfeitamente onde devem ser. Na verdade, elas dão o tom que a história precisaria ter. É triste ver músicas boas sendo usadas para situações apáticas.

 

Paródia de si mesmo?

Preciso deixar avisado a quem ainda não conhece Cinquenta Tons que o filme tem cenas que casam perfeitamente a uma paródia ruim. É muito comum você querer rir de situações completamente clichês no filme. Como quando Grey recebe mensagens de Ana e começa a ficar irritado, mas na verdade as expressões faciais de Jamie parecem não combinar com nada daquilo, ou quando ele insere bolinhas sexuais em Ana antes de uma festa.

O grande problema da saga está aí, a todo momento a linha do trash é ultrapassada por ter uma execução tão preguiçosa quanto o roteiro.

 

Perigo

Antes de terminar de falar dos novos tons, é preciso dizer que apesar de apático o filme expressa uma mensagem machista e perigosa de ‘glamourização’ da submissão da mulher. Em cena uma submissa de Grey se ajoelha perante ele como um cachorro, é algo forte e claro que o filme não tem o cuidado de passar isso sem dosar esse perigo e reforçar esse discurso grotesco que vai além do sexual, uma vez que o protagonista é controlador e manda e desmanda na vida profissional e pessoal das mulheres que se relaciona. Até porque um filme que não se preocupa nem em ser bom, dificilmente se preocuparia com a mensagem que está passando, só nisso ele perde milhares de pontos.

Imagem: Reprodução

 

Resumindo…

Preferia ter visto o filme do Pelé.

 

Avaliação

Nota 1,5: Bem Ruim!

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Nauan Sousa

Jornalista, social media e fã de cultura pop. Não gosto de determinar, prefiro analisar. Gosto de palavras, séries, doce e cerveja. Provavelmente você não irá com minha cara logo de cara, mas se você me der 3 minutos e 10 segundos posso te convencer que o 'Sério, Nauan?' vale sua visualização.

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