Crítica | TOC se vendeu como comédia, mas serve humor mediano embalado em crítica social

Precisamos conversar sobre TOC (Transtornada Obsessiva Compulsiva) e sua protagonista, Tatá Werneck. Vamos começar pelo início!

 

Enredo

TOC é um filme que conta a história da atriz Kika K (Tatá Werneck) que se vê depressiva mesmo tendo tudo que sua profissão pode lhe oferecer. Cheia de manias, a atriz vive uma aventura após descobrir que sua empresária (Vera Holtz), contratou um escritor ‘fantasma’ para escrever um livro em seu nome.

 

TOC

É difícil falar de TOC. O resultado final do longa metragem nacional é “na média”, mas as críticas pesadas em cima da produção são compreensíveis. Vou explicar melhor, TOC não é um filme literalmente de comédia, ele mistura o bom humor (bem mediano, por sinal) com uma crítica social que dá a algumas cenas fortes cargas de reflexão. Claro que por ser vendido como filme de humor, o roteiro visivelmente se curva a situações engraçadas e a momentos non sense. Porém TOC foi vendido como humor escrachado. Quem vai ao cinema toma um ‘choque’ com o que vê na tela. Transtornada, Obsessiva, Compulsiva é muito mais profundo do que aparenta.

Imagem: Reprodução

 

Kika K e Tatá Werneck

Por ser uma personagem de várias nuances e momentos Kika K cativa, mas o espectador sente nas frustrações dela um peso reflexivo que nos leva a críticas sociais válidas. Durante o longa a protagonista aparece insatisfeita com sua vida e se sentindo vazia. Suas cenas divertidas entram numa balança com cenas mais dramáticas e talvez isso não fosse o esperado pelo público. Vamos explicar indo pela intérprete: Tatá Werneck.

Com trejeitos característicos como fala rápida, expressões faciais hilárias e humor nato, Tatá é vista pelo público como uma comediante, porém ela é atriz. Após ver o filme fui na página dela e vi diversos comentários de pessoas dizendo que esperavam rir dela, esperavam mais humor, esperavam mais… Aí que mora o problema, rotularam Tatá e TOC. O marketing do filme, o trailer, o material de divulgação mostram o lado bem humorado de Kika que somado a fama de Tatá faz as pessoas só esperarem rir, rir e rir da produção. Vale culpar o público? Não. Afinal, se você vende humor, as pessoas buscam que aquela saída ao cinema, cumpra o prometido e sirva ‘graça’. Mas TOC tem uma carga diferente, uma outra sintonia e quem viu sabe do que estou falando. Kika se difere dos outros personagens de Tatá porque ela tem um senso crítico mais aguçado que vai sendo explorado durante sua trama. O humor mesmo, deixa a desejar em alguns momentos e soa bobo. Porém, Dona Werneck está de parabéns pela atuação, pena que o filme foi divulgado todo errado e as pessoas não estão vendo Kika como deveriam ver.

 

Elenco

Outro ponto forte de TOC é o elenco que conta com nomes como Bruno Gagliasso, Vera Holtz, Ingrid Guimarães, Luis Lobianco, Daniel Furlan e outros. Com uma turma de atores afiada os personagens do longa conversam muito bem com a proposta do enredo e cumprem seu papel. Destaque para Vera Holtz e Ingrid Guimarães que roubam a cena diversas vezes. Com um elenco desse potencial, acho que TOC poderia ter ganhado melhores ‘ares’ e ter se firmado melhor na base de sua construção de roteiro e dado mais em roteiro, enredo, desenvolvimento de situações.

 

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No todo…

TOC é bom. Nada de extraordinário, há uma certa monotonia nas cenas e uma linearidade perigosa que beira o tédio algumas vezes, mas é completamente assistível. As críticas negativas estão se dando, como já disse, pelo fato do filme ser vendido como comédia escrachada e em terra de ‘Vai Que Cola’ e ‘Minha Mãe É Uma Peça’ a expectativa pela risada é grande. Dá pra rir? Até dá. Dá pra pensar sobre? Dá. Dá pra ganhar prêmio? Não dá, porque TOC é reflexivo, mas passou longe de ser forte e marcante.

 

Avaliação

Nota 3,0: Legalzinho, vai!

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Nauan Sousa

Jornalista, social media e fã de cultura pop. Não gosto de determinar, prefiro analisar. Gosto de palavras, séries, doce e cerveja. Provavelmente você não irá com minha cara logo de cara, mas se você me der 3 minutos e 10 segundos posso te convencer que o 'Sério, Nauan?' vale sua visualização.

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