Em tempos de censura do Youtube resta uma questão “Porque a representatividade é tão importante?”

No último fim de semana ficamos todos chocados ao descobrir que o Youtube estava censurando conteúdo LGBT em sua plataforma. Ao procurar por youtubers, artistas e vídeos que remetem a temática, o site de vídeos simplesmente não mostrava as opções em vídeos. O que levou  a explicação de que se tratava de um modo de restrição de conteúdo, que apesar de opcional, exclui vídeos da cultura pop e LGBT, sem nenhum motivo aparente, afinal o conteúdo censurado não era nocivo e nem impróprio, muito pelo contrário, preconceito e ódio é que são impróprios e estão por aí, vagando no site.

Para você ter ideia, clipes de Lady Gaga, Katy Perry, Ariana Grande, Pabllo Vittar e Lia Clark sofreram com o modo restrito. Youtubers LGBT também foram censurados. O tal “modo restrito” foi criticado através da tag #YouTubeIsOverParty que mostrou diversos cases do preconceito que a plataforma tratou o conteúdo LGBT. Claro, a censura revoltou os internautas:

 

Em momentos como esse é bom pensarmos juntos: Porque a representatividade é tão importante? Porque as pessoas querem ser representadas na TV Aberta, no Youtube, no serviço de streaming, no mercado de trabalho? É para aparecer? Vamos refletir.

O Brasil, é o país que mais mata LGBT no mundo. Em 2014, uma publicação no HuffPostBrasil afirmou que uma morte LGBT acontece a cada 28 horas motivada por homofobia. Os dados são alarmantes e o caso Dandara mostra o quanto ainda temos que lutar pela comunidade LGBT. Pelo direito de sermos humanos e andarmos na rua sem medo de sermos quem somos. Para isso a representatividade é uma aliada.

 

 

Ver drags, lésbicas, trans, travestis e gays em novelas, filmes, vídeos e outros meios de comunicação de massa é um importante passo para que o mundo perceba o quão normal é a diversidade, o ser diferente, e que gênero não influi em caráter. A comunidade LGBT precisa de gays nas novelas, para que pais entendam a diversidade e não fiquem colocando filhos nas ruas quando se assumem, precisa de trans em séries para que as pessoas nas ruas não façam piadas preconceituosas que magoam e muitas vezes matam, precisa de travestis no Youtube para que a geração entenda que não há nada de errado em querer ser quem você é. A representatividade não é algo raso que possa ser descrito com um simples “Tudo agora tem que ter LGBT”. É muito mais do que possamos imaginar. A vida, o mundo real, tem pessoas diversas, elas precisam de voz, elas precisam ser representadas, para que não sejam tratadas como “estranho”, para que não sofram na escola, não apanhem na rua, não sejam mortas em suas casas. Por isso quando digo que a drag Pabllo Vittar fazendo sucesso na cena nacional é uma vitória, porque é uma grande vitória para vários meninos que são afeminados, que querem ser drags possam olhar e dizer “Não tem nada de errado”, pois não tem.  É vitória mulheres trans se verem no trabalho incrível que a Youtuber Mandy Candy vem fazendo. É vitória gays famosos como Sam Alves se assumindo e se sentindo bem com sua sexualidade. Não há e nunca houve nada de errado no amor entre duas pessoas do mesmo gênero, em querer vestir roupas que você fique mais a vontade, o único erro é o ódio, o preconceito que muitas vezes vira crime.

 

Termos mulheres de grande peso mundial como Beyoncé, Lady Gaga, Madonna, Rihanna e outras, falando sobre a importância da auto aceitação e do amor também é algo importante. Sabe aquela máxima de “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons” do Martin Luther King? Pois é, ela é real. Precisamos de voz, de pessoas que estão na vida real sendo representadas para que não aconteça o que aconteceu com o filho que foi morto pela mãe que não achava “normal” ser gay ou pai que espancou o filho dizendo que ele era um lixo e que iria tirar o capeta dele. Sei que isso tudo escrito aqui é forte, mas é isso que está aí fora. A falta de representatividade mata. As pessoas na sociedade criaram um padrão de certo e errado que todos os dias tira vidas e não só no meio LGBT. São padrões que matam, machucam, cria monstros e vítimas.

 

Voltando ao Youtube, há um recado. Precisamos que você, Google, não censure essa representatividade. Finalmente estamos partindo para plataformas democráticas que ampliam a voz das minorias. Músicas que falam sobre amor acima de gênero, materiais que mostram o talento da nossa comunidade, que debatem seriamente assuntos importantes, que guiam a humanidade para o tão desejado “amor ao próximo”. Calar não é possível, pois muitas pessoas morreram para chegarmos até aqui e por elas e por um futuro melhor não é possível calar. Então já diria Elza Soares “Me deixe cantar”. Deixe a comunidade LGBT cantar, dançar, falar e mostrar que não há nada mais normal que amar.

 

Em recente declaração o Youtube reconheceu seu grave erro e disse que o sistema passará por reformas.

Share This:

Nauan Sousa

Jornalista, social media e fã de cultura pop. Não gosto de determinar, prefiro analisar. Gosto de palavras, séries, doce e cerveja. Provavelmente você não irá com minha cara logo de cara, mas se você me der 3 minutos e 10 segundos posso te convencer que o 'Sério, Nauan?' vale sua visualização.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.