Semana pop na Cidade do Rock: 5 coisas do Rock in Rio que descobrimos esse fim de semana

O Rock in Rio é, sem dúvida, um dos assuntos mais comentados da semana. Levando ao palco nomes como Justin Timberlake, Maroon 5, Alicia Keys e Fergie, o festival contou com uma série de contra tempos e momentos inesquecíveis. O que nos leva a 5 coisas que aprendemos sobre o Rock in Rio em um fim de semana.

 

O Rock in Rio não conhece os brasileiros

Não tem como sabermos o que bomba em Lisboa para opinarmos sobre Rock in Rio Lisboa, mas na edição Brasil, sabemos quem está no auge, quem merece um palco mundo e quem não. Sabemos quem lota shows, quem está fazendo diferença no mercado fonográfico, quem toca nas rádios, etc. Por isso o festival errou feio em não ouvir os brasileiros. O primeiro erro grotesco foi desconsiderar Anitta no line up. Gente, não precisa ser fã de cultura pop para saber que a cantora é o nome nacional de maior peso na cena pop. Anitta quebrou a internet diversas vezes nos últimos anos com clipes e parcerias internacionais. Elevou o pop no Brasil e fez com que outros cantores do segmento crescessem. Feats com Iggy Azalea, Maluma, Major Lazer, Pool Bear são uma pequena amostra de sua influência lá fora. Anitta é citada sempre pela Billboard americana e artistas como Fergie (que inclusive foi escalada para o Palco Mundo) e Camila Cabello já demonstraram interesse em fazer dueto com a artista brasileira. São milhões de views, singles vendidos e onipresença nas rádios de diversos estilos. Desconsiderar Anitta no line up pop foi mostrar que o Rock in Rio não nos conhece ou não nos dá ouvidos. O que é péssimo para um festival que vende ingressos salgados para a massa. Até quando essa falta de sensibilidade vai continuar dando certo, não tem como saber, mas as primeiras rachaduras foram observadas.

 

Fui ao primeiro dia de Rock in Rio e não foi difícil escutar pessoas pedindo Anitta e até grupinhos pedindo pela cantora. Os palcos de patrocinadores do evento como Itaú e Coca Cola usaram e abusaram de hits da cantora. Em um momento até registrei uma queima de fogos de artifícios ao som de Bang.

Sim eu gritei um belo de um “Pisa menos, Rock in Rio” quando na verdade era pra ter saído um “Pisa menos Coca Cola”. Nesse quesito o evento não fez a tarefa de casa. Aliás, o que nos leva para a segunda coisa que aprendemos sobre o festival.

 

Rock in Rio não sabe gerir crises

O primeiro dia de Rock in Rio aguardava um dos maiores nomes da música pop atual: Lady Gaga! E podemos dizer que a cantora levou seus monsters para preencher o Rio de Janeiro já que a line up da estreia do Rock in Rio estava em suas costas. Do dia, ela era o nome mais aguardado de fato. Diferente dos demais dias que contavam com duplas e até trincas de artistas muito aguardados pelo público. Não desmerecendo ninguém que se apresentou no dia de Gaga, claro, mas era o nome da noite e todos estamos cientes disso.

 

Como sabemos, na véspera de seu show no evento, Gaga teve que cancelar sua presença devido a fortes dores causadas por fibromialgia. O Rock in Rio, claro, se desesperou e colocou qualquer headliner que tivesse pela frente pra substituir Gaga. Erro primário, escolheu Maroon 5. Além dos integrantes já estarem por aqui, o RIR quis ser prático e esqueceu que os fãs da Gaga (que eram sua maioria) dificilmente são fãs da banda americana. Pode gostar? Pode! Mas não a ponto de sair de seu estado para isso. Fãs de Gaga saíram de todos os lugares do Brasil pra ver sua diva pop, e já que ela não pôde colocasse outra diva. Fergie teria feito um melhor papel e teria sido melhor recebida. Rock in Rio apenas deixou opções de reembolso de ingresso (quem pagou toda a estadia não teve nenhuma solução) ou ver Adam Levine. Adam, ele mesmo, que tretou com Lady Gaga no twitter poucos anos atrás.

 

Na época os fãs pegaram um pequeno ranço e saber que saiu de casa para ver um ranço não é nada bom. Claro que o Rock in Rio não fez o básico, jogar no google para saber se existia alguma rejeição dos fãs de Lady Gaga a Maroon 5. O resultado foi as milhares de reclamções na rede, péssimas avaliações ao evento e pessoas indo embora no show do primeiro headliner da temporada de festival. Fora os que nem foram. Claro que o Medina tentou amenizar a situação dizendo que não foi tudo isso, mas gente, foi. Teve até gritaria pedindo para que pelo menos a Anitta substituísse a Gaga já que não ia dar tempo de chamar uma diva internacional. Pedido negado, mostrando mais uma vez que o Rock in Rio patina completamente quando o assunto é pop.

 

 Rock in Rio subestima o tamanho dos atuais artistas nacionais pop e mergulha no próprio erro

Vamos parar de falar de Anitta um pouquinho, mesmo que ela se encaixe aqui também? Ok. A queen Pabllo Vittar não esteve no line up do Rock in Rio. Ok, começo de carreira, primeiro álbum. Porém há uma visão de que Pabllo já arrasta multidões. Isso está a olhos nus. Visualizações de vídeos e trios comandados pela drag já provaram por A+B que ela está pronta para comandar sua nação de vittarlovers. O que o Rock in Rio poderia fazer? Reservar ao menos um palco Sunset para Pabllo e medir o quão quente é seu show. Não fez? Não fez! Coube então ao patrocinador Itaú salvar a pátria e chamar Pabllo para seu palco, que é menor que os palcos do festival, claro. Em menos de 5 minutos de show iniciado, a Cidade do Rock estava em peso vendo a Pabllo cantar seus hits e dar seus closes. Foi algo espontâneo e grandioso. A estreia de Pabllo chamou muito a atenção e deixou o Sunset às moscas e deixou Maroon 5 a ver navios em termos de fidelidade do público. Pois mesmo que o som não fosse tão bom quanto do palco mundo, as pessoas ficaram do começo ao fim admirando a queen.

 

Mas se Rock in Rio não nota Pabllo, Fergie nota! No outro dia a diva internacional chamou Pabllo para o palco mundo e o feat quebrou a internet e levou o publico a loucura.

 

Ah, e Alicia também levou Dream Team do Passinho pro palco mundo, porque ela pode e é mais visionário que o festival todo.

 

Agora voltando a Anitta, ela foi mencionada no palco mundo e por artistas nacionais e gringos, até pelo Emicida que deu entrevista falando sobre o assunto!

 

Rock in Rio errou e teve que ver seus erros e falta de pesquisa expostos no próprio festival. Pabllo foi ao palco mundo, Anitta teve várias menções e eles ficaram com uma dívida com o pop nacional que há tempos não se resume a Skank.

 

Cidade do Rock é mais incrível do que aparenta

Para os fãs de música pop, a nova Cidade do Rock entra no ritmo que mais amamos no fim de semana dedicado ao estilo e olha, é uma mega estrutura. Tem várias atrações de apoiadores diferentes, muitos brindes (porque estamos aqui pra catar brinde) e ainda tudo que não tá no line up as marcas fazem questão de jogar pro público, porque elas sim entendem o fã brasileiro. Inúmeros foram os tributos a Lady Gaga nos palcos alternativos no dia em que infelizmente ela não pôde ir. E aí não deu outra, quem quer saber de palco mundo quando os patrocinadores entendem melhor você que o próprio festival.

 

Ainda dá tempo de grandes shows acontecerem

Mesmo não apertando um bom F5 o Rock in Rio consegue promover bons shows e bons momentos. Vale a pena passar lá pra conferir? Claro que vale. Porém outros festivais virão e se ele não se cuidar perde a frente pra concorrência mesmo com mega estrutura. Essa edição tivemos três bons shows para destacar. A primeira é nacional, atemporal, sempre está no Rock in Rio, e sempre dá um show a parte. Ivetão! Aliás, Medina chama Anitta de funk e pede para deixar o show mais pop, porém Ivete é muito axé, sim e dá sempre certo! Vai entender?!

 

Um segundo show destaque foi Alicia Keys. Que mulher! Que artista! Que voz! Aliás, leva pra casa o prêmio de melhor show pop do Rock in Rio, fia.

 

E Justin Timberlake foi bem também…

 

Ou seja, tem bons shows, infelizmente ofuscados pelos itens já citados acima. Como festival Rock in Rio deve muito ao público pop que ele resolveu abraçar com o passar dos anos. Para o Brasil, país muso inspirador do festival, o show deve uma pesquisa melhor do que consumimos de como vemos o pop e quem somos nós. Não dá pra ficar colocando o evento numa forma e vender colocando goela abaixo. Muitos artistas internacionais (não vou citar pra não desmerecer), inclusive, não tem nem força pra segurar um Rock in Rio e estou falando dessa popularidade. O público desse show não é o mesmo do Lolla. Então uma estudada evita uma série de constrangimentos.

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Nauan Sousa

Jornalista, social media e fã de cultura pop. Não gosto de determinar, prefiro analisar. Gosto de palavras, séries, doce e cerveja. Provavelmente você não irá com minha cara logo de cara, mas se você me der 3 minutos e 10 segundos posso te convencer que o 'Sério, Nauan?' vale sua visualização.

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