Crítica | Com “Double Dutchess” Fergie entrega o trabalho de sua vida e nos dá uma incrível experiência

A duquesa voltou! Depois de 11 anos do lançamento de seu primeiro álbum de estúdio (The Dutchess), Fergie voltou com um álbum visual cheio de surpresas para os fãs sedentos por um novo material da cantora norte-americana. “Double Dutchess” a primeira vista tem uma bagunça sonora digna da trajetória que o disco tomou para chegar às prateleiras, mas o resultado final é muito bom e tem momentos marcantes. Fergie pode não estar no pique e no cenário musical que a acolheu em 2006, mas seu esforço para mostrar que ainda tem o que o pop precisa está impresso em cada clipe e faixa.

 

Há um bom tempo Fergie vem tentando colocar seu 2º cd nas prateleiras e isso comprometeu um pouco a experiência de “Double Dutchess“. O lado bom é que ela teve tempo para sondar o que o público em um novo momento do pop gostaria de receber de uma diva como ela. LA Love patinou nos charts e não foi aceita com empolgação pelo público em 2014 (isso, 3 anos atrás seu álbum já dava os primeiros suspiros) e não sabemos se isso influenciou o resto do trabalho, e Fergie teve que refazer todo o dever de casa. Mas, com certeza a faixa é uma grande repetição do que a cantora fazia no Black Eyed Peas e não tem muita novidade nesse caminho. Ainda bem que LA Love é um single do novo disco que veio para dizer “não é nada disso que você tá pensando”.

 

Porém, 2017 chegou feliz para DD, o novo álbum recebeu novos ares e novas faixas. Um grande exemplo é a trinca Hungry, Just Like You, You Already Know que ganharam clipes com uma estética sensacional que marca a nova era de Fergie, e mostra que a cantora deu sim uma evoluída em sua sonoridade. Não é nada gritante em relação ao que já sabemos que Fergie é capaz, mas é de deixar qualquer fã maluco e qualquer pessoa que ainda não conhece a duquesa, apaixonado.

 

Mas como nem só de novos conceitos e estética vive um disco, Fergie misturou quem ela é hoje com quem ela já foi em The Dutchess. Talvez por isso o álbum se chame Double Dutchess, né? O legal é que Fergie pegou dois ápices de seu primeiro disco e fez umas versões 2.0 também, saudando assim os antigos fãs.

Ah, pra deixar que claro que LA Love não se encaixa aqui porque é muito ruim mesmo e não dá pra defender.

 

Fergalicious aqui se chama M.I.L.F.$ que já é de longe o maior sucesso em single do disco.

 

Big Girls Don´t Cry ganha uma versão sem Siri e Alemão em Life Goes On que flerta com synthpop.

 

Sobre a linha visual temos que aplaudir, Fergie realmente não decepcionou. Os videoclipes de DD estão muito bons e com um fôlego incrível (é difícil fazer um álbum visual com qualidade em tudo e principalmente tendo passado pela trajetória que passou para ser lançado). Não parecem formar uma história como Lemonade de Beyoncé, por exemplo, mas tem muita qualidade envolvida. Porém, como nem tudo são acertos, uma faixa que ficou boa sonoramente e o clipe é bem “ok, vamos relevar”, é Save It Til Morning que deixou a música muito cafona numa versão chinfrim de Breakaway.

 

E tem também uma faixa maravilhosa chamada Enchanté que abraça tendências em batidas e letras já exploradas em Closer do  The Chainsmokers e The Cure de Lady Gaga. Para o clipe, Kendall Jenner no foco enquanto Axl Jack, isso mesmo, o filhinho de 4 anos da Fergie dá uma palhinha.

 

Ou seja, Fergie deu a todos o trabalho de sua vida com altos e baixos. Comercialmente falando The Dutchess era mais interessante até mesmo para a época que nasceu, mas Double Dutchess é uma sequência de tiros, de acertos, erros e de mergulhos em mares que a Fergie teve que nadar e arriscar para conseguir entregar algo novo. Nem o vazamento do álbum meses antes parou a ex-integrante do Black Eyed Peas, que manteve seu cronograma de lançamento e entregou com muito suor o segundo álbum de estúdio que teve problemas de gravadora e tudo. Fergie voltou, caros e com um álbum digno de trilha sonora de reunião com amigos para tomar uma catuaba e ouvir.

 

Bem vinda de volta, duquesa. Estamos felizes em vê-la novamente!

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Nauan Sousa

Jornalista, social media e fã de cultura pop. Não gosto de determinar, prefiro analisar. Gosto de palavras, séries, doce e cerveja. Provavelmente você não irá com minha cara logo de cara, mas se você me der 3 minutos e 10 segundos posso te convencer que o 'Sério, Nauan?' vale sua visualização.

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