Crítica | Gaga: Five Foot Two deixa o ícone Lady Gaga de lado e foca na mulher por trás da lenda

Desde que surgiu na indústria musical, Lady Gaga teve a oportunidade de ser vista sob vários ângulos, mas nunca de uma forma tão crua quanto Gaga: Five Foot Two se propôs a mostrar. O documentário de 1h40 min mostra a mulher por trás da estrela pop durante a preparação do álbum Joanne até os bastidores da sua apresentação no intervalo do Super Bowl (momento considerado ápice pela própria artista). O resultado? Um material rico para quem é fã não só de Lady Gaga, mas também de pop. Vemos, diante dos nossos olhos, todas as pressões e cobranças que uma estrela do porte de Gaga sofre e como isso afeta sua vida pessoal e em sua saúde, como isso interfere diretamente a Stefani Joanne Angelina Germanotta.

 

Sinopse

Lady Gaga fora dos palcos, por trás da cortina. Os altos e baixos na vida pessoal, as lutas com os relacionamentos, os problemas de saúde e, o principal, a diferença da vida como uma estrela da vida como uma mulher cotidiana. (Sinopse: AdoroCinema)

 

Gaga X Stefani

Captada por Chris Moukarbel em diversos momentos, Lady Gaga se mostra crua e sem todos os figurinos, alter egos e carões que a fizeram famosa no mundo inteiro. Se mostra Stefani e logo nos primeiros minutos de doc orgulha-se em dizer que se sente segura e não mais como uma “garota” e sim como uma “mulher”. Porém, durante a estreia de seu álbum Joanne, sua preparação para o Super Bowl e tratamento de sua fibromialgia, a cantora vai se despindo de suas palavras e mostra como se sente insegura, pressionada e confusa, como um ser humano normal. Com sensibilidade e força alternando-se em diversas situações, Lady Gaga nunca esteve tão intensa na frente das câmeras. Sim, é difícil dizer isso já que vimos milhares de performances onde ela se doa 100% e entrega momentos icônicos beirando ao visceral, mas dessa vez é diferente, a cantora mostra que é assim 24 horas por dia e sem descanso.

 

As lentes de Chris também captam momentos da separação de Gaga e seu ex-noivo Taylor Kinney, claro, na visão da cantora, mas é nítido que sua rotina estressante e intensa tiveram papel fundamental nesse término. Além disso, as dores que afastaram Gaga do Rock in Rio são mostradas no documentário (claro que em outro momento) e também seu tratamento. Porém, o documentarista deixou explícito o quanto Gaga, mesmo em momentos que exigem mais seu lado Stefani, se preocupa com sua carreira. Mesmo com problemas pessoais, ela citava seu disco, os ensaios para o Super Bowl, gravação de série e seus compromissos profissionais o tempo todo, tudo para satisfazer os fãs, no qual tem um elo e amor gigante.

 

Edição e cenas

O documentário consegue trazer um ícone pop camaleão como Lady Gaga para sua pele mais frágil, a dela mesma. Só isso já é um grande ponto positivo. A edição de Gaga: Five Foot Two ajuda nesse processo e parece ter sido pensada nisso. Nada espalhafatoso, tudo beirando o cru com depoimentos, momentos e declarações. Lady Gaga está vulnerável a todo momento, mas sem deixar de ser focada, responsável, criativa e forte, sim, forte em meio a tanta pressão de fãs, gravadora, vida pessoal, etc. A edição mostra isso o tempo todo, o quão grande é a pequena Gaga, o quão determinada ela é, o quanto sua fragilidade emocional não impede de que ela vá ao palco e dê seu melhor. Há poucos documentários que conseguem transmitir de alguém imagens tão opostas e tão complementares.

 

Chris deixa Gaga tão a vontade que declarações sobre Madonna saem de forma espontânea, estresse no set de American Horror Story  sai naturalmente e ele faz com que ela esteja 200% lá, sendo ela mesma, com pouquíssimas intervenções para perguntas, que quando surgem, tem o papel de direcionar quem assiste para o próximo passo da corrida vida da estrela.

 

 De: Netflix

Para: Fãs do pop

Assistir Gaga: Five Foot Two nos traz à tona diversos momentos de outros ícones do pop também. Observar de perto as dores e desafios de um ídolo como Gaga nos leva a pensar como será a rotina de Britney ou Madonna, como foi tudo isso para Michael Jackson ou David Bowie. Sabemos que tem material deles circulando por aí, mas ver grandes nomes tão vulneráveis como nós, só que com uma responsabilidade gigantesca em cima é bem reflexivo. Netflix e seu documentário com a Mother Monster não é algo para ser visto apenas pelos little monsters, mas para quem gosta de pop, quem tem ídolos que possuem uma estrutura pop em seu trabalho, é importante para reconhecer que há uma pessoa por trás de uma figura pública. É muito válido. Vale seu view agora!

 

Avaliação

Nota 4,5: Excelente

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Nauan Sousa

Jornalista, social media e fã de cultura pop. Não gosto de determinar, prefiro analisar. Gosto de palavras, séries, doce e cerveja. Provavelmente você não irá com minha cara logo de cara, mas se você me der 3 minutos e 10 segundos posso te convencer que o 'Sério, Nauan?' vale sua visualização.

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