Crítica | O filme “Bright”, nova aposta da Netflix, é uma bagunça em roteiro e efeitos

A Netflix tem em suas mãos a possibilidade de terminar 2017 com chave de ouro na estreia da nova temporada de Black Mirror, porque o erro que ela cometeu com a produção de “Bright” seria um péssimo jeito de terminar o ano. Tendo um custo estimado em US$ 90 milhões (nada confirmado, é claro) o filme estrelado por Will Smith e Joel Edgerton é uma metralhadora de cenas de pancadaria que não dizem a que veio e o resultado final é no mínimo decepcionante.

 

Enredo

Em um mundo futurista, seres humanos convivem em harmônia com seres fantásticos, como fadas e ogros. Mesmo nesse cenário infrações da lei acontecem e um policial humano (Will Smith) especializado em crimes mágicos é obrigado a trabalhar junto com um orc (Joel Edgerton) para evitar que uma poderosa arma caia nas mãos erradas.

 

Muito potencial jogado fora…

Analisando friamente, “Bright” tem tudo para ser um bom filme. A história em si é muito boa, cenários de fantasia geralmente dão muitos elementos a serem trabalhados e seus personagens podem ser explorados de diversas formas, mas não é o que vemos no filme. Com um roteiro atropelado, cenas de pancadaria em cima de cenas de pancadaria, o filme não se aprofunda nem no gênero thriller de ação e deixa suas críticas sociais boiarem em cenas superficiais. Na nova aposta da Netflix, é porrada em cima de um espetáculo pirotécnico de magia sem espaço para dar ao espectador um mundo crível o suficiente.

O grande problema do filme é realmente o roteiro. Os personagens surgem do nada nas cenas de ação, todos os plots da trama são resolvidos de forma simplória e a vilã principal do filme, Leilah (Noomi Rapace), é absurdamente previsível, não tem uma motivação que nos faça crer nela. Aí mora o grande defeito do longa, tudo se passa tão rápido e nos é apresentado de forma tão descuidada que não há uma preocupação de que seus personagens tenham motivação o suficiente para os caminhos que escolhem dentro da história.

Prejudicada pelo roteiro Noomi Rapace vive uma vilã completamente previsível. (Imagem: Reprodução)

 

Crítica Social

Outro ponto que podemos ver em “Bright” é a crítica social. A obra fala sobre segregação social e usa fadas, orcs e elementos mágicos para criticar o como a sociedade descrimina o próximo e em alguns momentos a trama tem cenas que nos leva a pensar sobre racismo, homofobia e todo tipo de preconceito. O repórter especial do huffpostbrasil.com, Caio Delcolli fala disso muito bem em uma publicação do site:

Em uma versão alternativa do presente, orcs, fadas, elfos e outras criaturas mágicas existem e moram no mesmo mundo que nós, humanos. É claro que dividir o mesmo planeta conosco não daria muito certo, uma vez que não somos bons em fazer isso nem com nós mesmos. Bright, novo longa-metragem original da Netflix, examina essa conturbada dinâmica social — e põe logo Will Smith, um ícone da cultura negra, no papel de um racista.

 

Olha só o que o Caio fala, olha só o trailer de “Bright”, é ou não é a promessa de um filmaço? Claro que é. Uma pena que ele simplesmente não acontece.

 

Mais uma vez o roteiro prejudicou um aspecto do filme, essa crítica social, pois tudo acontece muito rápido no longa e até entendemos que aquele conteúdo tem um teor social forte, mas não conseguimos nos aprofundar em nada com as cenas e plots acontecendo muito rápido, personagens aparecendo sem motivações e a falta latente de um bom trabalho na parte mitológica do longa. A crítica social de “Bright” já é um bom motivo para o filme existir, mas o longa metragem passa seus mais de 100 minutos tentando ser bom em tudo e deixando todas as suas promessas cumpridas pela metade.

 

Elenco

Como nem tudo é ruim em “Bright”, pode-se destacar o entrosamento de Will Smith e Joel Edgerton como um ponto alto do filme. Os dois são parceiros na trama, mas vão construindo um bom relacionamento aos olhos do espectador e realmente essa parceria começa a surgir a partir dos contratempos que eles vivem. Essa construção de amizade parece a única coisa que o filme conseguiu desenvolver bem.

(IMAGEM: REPRODUÇÃO)

 

Lucy Fry é a elfa Tikka, uma versão ruim da Leeloo de O Quinto Elemento. Noomi, como já dito aqui, vive a previsível Leilah e tem o Édgar Ramírez perdido no seu próprio Kandomere, que é aquele personagem que você nem lembra que existe, só quando aparece e mesmo assim apenas pra mostrar o quão esquecível é.

Édgar Ramírez em Bright (Imagem: Reprodução)

 

Não tem muito o que o elenco de “Bright” possa fazer com seus personagens, então eles mesmos já devem estar cientes de que esses serão personagens que não marcarão suas carreiras.

 

Maquiagem, cenário e figurino

Eis pontos legais do filme. Maquiagem super bem feita dos seres fantásticos, cenário meio Los Angeles dos anos 90 (vale até ressaltar uma referência que em 1992 houve um caso de racismo por lá, envolvendo policiais que foram absorvidos mesmo com um vídeo mostrando que espancaram um homem negro e isso gerou revolta na população. A polícia, então, passou a ser mal vista pela população, como no filme) e figurinos muito bem feitos. Nesse quesito não há o que falar de “Bright”. Aliás, os efeitos também ganharam mais destaque na escolha de passar o filme quase todo na noite, uma boa decisão para um filme de varinhas mágicas.

 

Resumindo…

Bright tinha tudo para virar uma febre e ser uma referência, mas se tornou um filme de sessão da tarde. A Netflix já está cogitando uma continuação, acho que podemos ver uma redenção chegando, porém “Bright” tá com cara de que só seria interessante como série, pois promete muito e não tem tempo para mostrar que é bom.

 

Avaliação

Nota 2,5: Mediano

 

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Nauan Sousa

Jornalista, social media e fã de cultura pop. Não gosto de determinar, prefiro analisar. Gosto de palavras, séries, doce e cerveja. Provavelmente você não irá com minha cara logo de cara, mas se você me der 3 minutos e 10 segundos posso te convencer que o 'Sério, Nauan?' vale sua visualização.

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