Crítica | “O Rei do Show” é um espetáculo para ver mais de uma vez no cinema

Desde seu trailer, “O Rei do Show” se apresenta como um grande espetáculo para o público, porém consegue ser ainda mais grandioso em seu resultado final. O musical é encantador, mágico, com grandes performances musicais, atuações, personagens e uma fotografia impecável. Dificilmente você não se apaixonará pelo filme, afinal ele é uma prova de que o gênero musical precisa de mais títulos anuais, pois tem um papel importante da história do cinema e a capacidade de dar aquela dose de açúcar que o cinema precisa para não se tornar um campo fértil apenas para filmes de pancadaria, terror, comédias americanas e super-heróis.

 

Enredo

P. T. Barnum, um showman que tem uma tendência natural de enganar seu público, decide montar um circo na esperança de ficar famoso. Durante sua saga há ainda uma importante questão pendente em sua vida, uma paixão cega pela cantora Jenny Lind.

 

Um show para todos

Geralmente musicais costumam a dividir opiniões. Nem o consagrado La la Land conseguiu agradar a todos, mas O Rei do Show parece ser muito mais propenso a conseguir tal feito. Numa biografia romantizada do empreendedor P.T. Barnum, o filme tem toda uma estética similar a vídeo clipes, suas canções são fortes e martelam na cabeça por um tempo e o roteiro é bem construído. Outro ponto é que seus personagens são carregados de carisma e sua “pegada” pode ser facilmente confundida com um clássico Disney.

 

Tem tudo em “O Rei do Show”: Romance, traição, amizade, humor e efeitos especiais. Todo o possível para manter o espectador ligado a cada ato é feito com maestria de quem entende que não tem grandes plots, mas sabe trabalhar com todos os elementos a sua disposição. Um fato que chama atenção, também, é que o filme traz muitos personagens, e cada um deles recebem o foco que devem ter, sem confundir quem acompanha a trama.

 

Elenco

Hugh Jackman está ótimo como P.T. Barnum, vê-lo em cena em um personagem que comanda o enredo é empolgante, pois ele supera cada expectativa e dá tudo que o protagonista merece ter, em termos de entrega e atuação. O Barnum de Jackman passa por fases que vão de um homem humilde à vingativo sem perder sua essência de sonhador. Dividindo cena com Jackman, Michelle Williams é a doce Charity, o amor de infância de Barnum e mãe das filhas dele. Williams dá toda a doçura da personagem e por vezes se apaga na trama, mas sempre volta lembrando que também é peça fundamental para tudo que está acontecendo em tela. Ela, inclusive, protagoniza o momento mais lindo, na minha opinião, que é quando a música  A Million Dreams nos é apresentada.

 

Vale destacar também Keala Settle que faz chover e nevar com sua mulher barbada e o casal formado por Zendaya e Zac Efron que ganha destaque através da sutileza, apesar de estarem no olho do furacão de uma questão social retratada no filme em quase todos os personagens. Já Rebecca Ferguson é a grande reviravolta de toda a história e interpreta muitíssimo bem a cantora Jenny Lind. A aparição de Jenny gera conflitos e dramas que vão tirando Barnum da posição de “pureza” que ele vai ganhando com decorrer da história.

 

“O Rei do Show” tem um grande elenco que funciona muito, que tem química e brilham, também, de forma individual. Toda essa sincronia é nítida e nos faz criar mais laços com a história que possui ares de conto de fadas.

 

Músicas

Falando em conto de fadas, “O Rei do Show” tem uma trilha sonora mágica. Suas músicas pop se encaixam perfeitamente nas cenas. This Is Me, por exemplo, foi indicado ao Globo de Ouro de forma justa, pois é um ponto bem alto do filme e do cinema em geral deste ano. A cena em que a música aparece é como toda a celebração de amor próprio e amor ao diverso que o filme traz e que a sociedade em geral precisa ver.

 

O grande fato é que TODAS as músicas do filme são cativantes, marcantes e fica difícil não sair do cinema com pelo menos duas delas alternando na sua cabeça. Elas também são usadas para passagem de tempo e as transições de câmera que acontecem para que isso ocorra.

 

Cenário, maquiagem, fotografia

E se tudo funciona para o espetáculo que é o musical, claro que cenário e maquiagem não poderiam ter sido diferentes. Uma trama que fala sobre um circo com personagens exóticos e diferentes tem que ter um cuidado na maquiagem, na caracterização e tudo isso pode ser percebido em “O Rei do Show”. Personagens como Charity, por exemplo, usa muito o azul que dá o tom tranquilo que emana de sua personalidade, já os integrantes do circo carregam um visual retrô com muitas cores. É algo bem interessante de se perceber.

 

Como dito algumas vezes aqui, a fotografia é realmente impressionante e faz jus a tudo que cerca o mágico mundo do filme. Ver isso no cinema é ainda melhor, então o conselho é correr pra sessão mais próxima a partir do dia 25 e ficar pronto para se emocionar e perceber cada um dos aspectos citados aqui dançando em cena.

 

Ponto fraco? Tem sim, senhor!

Claro que sempre tem algo negativo, e em “O Rei do Show” o ritmo acelerado dá uma prejudicada às vezes. Apesar de bem roteirizado e bem construído, a pressa em solucionar determinados plots para as músicas entrarem em cena prejudicam alguns momentos que serviriam para celebrar a diversidade, propósito do longa existir. Estamos falando de um espetáculo com pessoas diversas e características únicas e isso poderia ser um pouquinho melhor desenvolvido. Porém, nada que ofusque a grandeza do show.

 

Resumindo…

“O Rei do Show” vale no mínimo duas idas ao cinema, para você ver e rever em uma telona um grande trabalho que deve ser um dos nomes que o Oscar premiará em breve. Desde já na torcida.

 

Avaliação

5,0: Perfeito! Você precisa assistir.

 

 

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Nauan Sousa

Jornalista, social media e fã de cultura pop. Não gosto de determinar, prefiro analisar. Gosto de palavras, séries, doce e cerveja. Provavelmente você não irá com minha cara logo de cara, mas se você me der 3 minutos e 10 segundos posso te convencer que o 'Sério, Nauan?' vale sua visualização.

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